O perímetro que ninguém está vendo: por que as identidades de máquina se multiplicam nas empresas 

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O perímetro que ninguém está vendo: por que as identidades de máquina se multiplicam nas empresas 

Ao olhar para o ambiente digital de uma organização hoje, existe um universo de acessos que muitas vezes passa despercebido pelas equipes: as identidades de máquina, também conhecidas como identidades não humanas. 

Com a aceleração da computação em nuvem, a proliferação de APIs, os pipelines de automação, as contas de serviço e, mais recentemente, a expansão dos agentes de Inteligência Artificial, as empresas passaram a lidar com um volume crescente de identidades digitais que não pertencem a pessoas. 

O que antes estava concentrado principalmente em usuários, senhas e contas de colaboradores agora também envolve tokens, certificados, segredos, chaves e credenciais automatizadas que permitem que sistemas e aplicações acessem recursos, troquem informações e executem tarefas continuamente. 

Historicamente, grande parte das estratégias de segurança da informação concentrou esforços na proteção das identidades humanas, com medidas como autenticação multifator, políticas de senha, controle de acesso baseado em funções e monitoramento de logins. 

Esses controles continuam indispensáveis. No entanto, à medida que as identidades de máquina se multiplicam, surge um novo desafio: garantir que esses acessos também sejam conhecidos, controlados, monitorados e protegidos. 

O que são identidades de máquina? 

Quando falamos em identidades de máquina, não estamos nos referindo apenas a servidores ou dispositivos conectados à rede corporativa. 

O conceito engloba diferentes tipos de credenciais utilizadas por aplicações, sistemas, integrações e automações para autenticar acessos e executar determinadas ações. 

Entre os principais exemplos estão: 

  • Chaves de API: utilizadas para permitir a comunicação entre sistemas, aplicações e plataformas de terceiros. 
  • Contas de serviço: identidades utilizadas por aplicações, serviços e workloads para executar tarefas de forma automatizada. 
  • Tokens de acesso: credenciais que permitem que aplicações e ferramentas interajam com repositórios, serviços, bancos de dados e outros ambientes. 
  • Certificados digitais e segredos: utilizados para autenticar sistemas e estabelecer comunicações seguras entre diferentes componentes da infraestrutura. 
  • Agentes e ferramentas de IA: sistemas capazes de acessar dados, interagir com aplicações, executar tarefas e, dependendo de sua configuração, tomar decisões de maneira automatizada. 

Cada uma dessas identidades precisa possuir algum nível de autorização para realizar suas funções. E é justamente aí que surge um dos principais desafios para a segurança. 

Por que as identidades de máquina representam um ponto de atenção? 

Quando pensamos em vazamentos de dados ou ataques cibernéticos, é comum associá-los a técnicas como phishing, engenharia social, roubo de senhas ou comprometimento das contas de funcionários. 

No entanto, identidades não humanas também podem representar uma importante superfície de ataque. 

Um dos principais riscos está nos níveis de acesso atribuídos a essas credenciais. Para evitar interrupções em integrações e automações, equipes podem conceder permissões amplas ou manter credenciais ativas por longos períodos. 

O problema surge quando esses acessos deixam de ser necessários, não são revisados ou acabam comprometidos. 

Além disso, uma identidade de máquina pode executar milhares de operações em um curto espaço de tempo. Em ambientes complexos, identificar uma atividade suspeita em meio a um grande volume de chamadas de API, autenticações e transações automatizadas pode se tornar um desafio. 

Outro ponto importante é que o comportamento dessas identidades é diferente daquele observado em usuários humanos. 

Um colaborador costuma apresentar padrões relativamente previsíveis de horário, localização e uso dos sistemas. Já uma API, aplicação ou automação pode operar continuamente e se comunicar com diferentes ambientes. 

Por isso, os mecanismos de detecção também precisam considerar o contexto específico dessas identidades. 

Quando uma credencial com privilégios elevados é comprometida, ela pode permitir acesso a outros recursos, dados ou ambientes e contribuir para a movimentação do invasor dentro da infraestrutura sem necessariamente gerar os mesmos sinais associados ao comprometimento de uma conta humana. 

Onde estão os principais pontos cegos? 

Um dos maiores desafios relacionados às identidades de máquina é a falta de visibilidade. 

Em ambientes compostos por múltiplas nuvens, ferramentas SaaS, aplicações próprias, integrações, APIs e processos automatizados, pode ser difícil responder a perguntas aparentemente simples: 

Quantas identidades não humanas existem no ambiente? 

Quem é responsável por cada uma delas? 

Quais sistemas elas conseguem acessar? 

Quais permissões possuem? 

Quando foram utilizadas pela última vez? 

Essas credenciais ainda são realmente necessárias? 

Sem essas respostas, podem surgir identidades órfãs, criadas por antigos colaboradores, fornecedores ou projetos que já foram encerrados, mas que continuam ativas. 

Outro problema recorrente é a ausência de um ciclo de vida bem definido. Chaves, tokens e contas de serviço podem permanecer válidos por meses ou anos sem processos adequados de expiração, rotação ou revisão de privilégios. 

Algumas organizações ainda tentam administrar esse cenário por meio de planilhas ou controles manuais. Embora esses recursos possam funcionar em ambientes menores, sua manutenção se torna cada vez mais difícil conforme a infraestrutura cresce e novas credenciais são criadas. 

A descentralização também amplia o desafio. Quando diferentes áreas utilizam plataformas de nuvem, aplicações, ferramentas de desenvolvimento e soluções de automação, manter uma visão centralizada das identidades existentes exige processos e tecnologias capazes de acompanhar essa dinâmica. 

Sem esse controle, credenciais podem permanecer ativas sem que exista clareza sobre sua finalidade, seu responsável ou seus privilégios, criando pontos cegos importantes para as equipes de segurança. 

Como fortalecer a gestão das identidades de máquina? 

A gestão das identidades não humanas não deve ser tratada apenas como uma iniciativa pontual ou uma tarefa de limpeza realizada periodicamente. 

Ela precisa fazer parte da estratégia contínua de gestão de identidades e segurança da organização. 

Uma abordagem estruturada pode considerar três pilares principais: 

1. Descoberta e inventário contínuos 

O primeiro passo é identificar as identidades utilizadas por sistemas e aplicações em ambientes de nuvem, plataformas de desenvolvimento, ferramentas SaaS e integrações com terceiros. 

Esse inventário precisa ser continuamente atualizado para acompanhar a criação, alteração e desativação dessas credenciais. 

2. Gestão de acessos e ciclo de vida 

Cada identidade deve possuir somente as permissões necessárias para realizar sua função, seguindo o princípio do menor privilégio. 

Também é importante estabelecer processos para rotação de credenciais, expiração de acessos, revisão de permissões e revogação de identidades que deixaram de ser necessárias. 

Sempre que possível, essas rotinas devem ser automatizadas para reduzir a dependência de controles manuais. 

3. Monitoramento de comportamento 

Além de saber quais identidades existem, é necessário compreender como elas estão sendo utilizadas. 

Monitorar padrões de acesso, volume de operações, recursos consultados e alterações no comportamento pode ajudar a identificar atividades incomuns ou tentativas de acesso fora do escopo esperado. 

Segurança contínua para um ambiente que não para de evoluir 

À medida que empresas adotam mais aplicações em nuvem, automações, integrações e soluções baseadas em Inteligência Artificial, a quantidade de identidades digitais tende a continuar crescendo. 

Isso significa que proteger apenas os usuários humanos já não é suficiente. 

A segurança precisa acompanhar todas as identidades capazes de acessar dados, aplicações e recursos críticos, independentemente de haver ou não uma pessoa por trás de cada autenticação. 

NSC atua lado a lado com empresas para ampliar a visibilidade e o controle sobre ambientes digitais cada vez mais complexos. 

Nossa abordagem combina tecnologia, inteligência e profissionais especializados para identificar, monitorar e responder continuamente a ameaças. Com soluções que abrangem diferentes camadas do ambiente, incluindo endpoints, redes, nuvem, e-mail e identidade, ajudamos as organizações a fortalecer sua postura de segurança diante da evolução das tecnologias, automações e novas formas de acesso. 

Mais do que proteger um perímetro tradicional, o desafio atual é compreender quem, ou o que, possui acesso aos ativos da organização e como esses acessos estão sendo utilizados

Integrar tecnologia, processos e conhecimento especializado permite que a segurança acompanhe o ritmo da transformação digital com mais visibilidade, controle e capacidade de resposta.